quarta-feira, 7 de maio de 2008

Para entender estrelas e textos: a polifonia

Referências bibliográficas: ABREU, Antônio Suárez. Curso de redação. São Paulo: Editora Ática, 2003. / GRANATIC, Branca. Técnicas básicas de redação. São Paulo: Editora Scipione, 1999. / SOUZA, Luiz Marques de. & CARVALHO, Sérgio Waldeck. Compreensão e produção de textos. Petrópolis: Editora Vozes, 2000. / VANOYE, Francis. Usos da linguagem – Problemas e técnicas na produção oral e escrita. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1986.

Quando produzimos um texto, nem sempre somos a única voz presente. Podemos colocar, explicitamente ou de forma indireta, uma ou mais pessoas falando além de nós. Isso é facilmente verificável em matérias e reportagens de jornais e revistas, nas quais o repórter, ao narrar um acontecimento, introduz a voz de seus participantes e observadores.
Para introduzir a voz de outra pessoa em nosso texto, é comum usarmos verbos como dizer, explicar ou afirmar, além de outros não tão neutros como enfatizar, advertir, ponderar ou confidenciar. De qualquer forma, precisamos ter muito cuidado com o uso de verbos que se referem às declarações de terceiros, para não corrermos o risco de manipular equivocadamente a fala dos outros.
Esta fala, por sua vez, se apresenta através de três formas de discurso: DIRETO, INDIRETO e INDIRETO LIVRE. Vamos a elas:
a) discurso direto- é a transcrição da fala de alguém, que pode ser organizada de duas formas diferentes; (1) na primeira explicamos quem vai falar, colocamos o sinal gráfico dos dois pontos (:), abrimos aspas (“), transcrevemos a fala com a primeira letra da primeira palavra na forma maiúscula, fechamos aspas (“) e colocamos o sinal gráfico do ponto (.); (2) na segunda, começamos abrindo aspas (“), transcrevemos a fala com a primeira letra da primeira palavra na forma maiúscula, fechamos aspas (“), colocamos o sinal gráfico da vírgula (,), o verbo, explicamos quem está falando e colocamos o sinal gráfico do ponto (.). Ou seja:
(1) Ao se referir sobre a liberação das verbas, o ministro foi categórico: “As prefeituras só irão receber o recurso do Bolsa Escola se os alunos do ensino médio e fundamental forem recadastrados”.
(2) “As prefeituras só irão receber o recurso do Bolsa Escola se os alunos do ensino médio e fundamental forem recadastrados”, avisou o ministro.
b) discurso indireto- é a incorporação da fala de alguém ao discurso do narrador, que se utiliza de palavras e expressões como segundo, de acordo com ou para. Assim:
Segundo o ministro, a verba do Bolsa Escola só será repassada se as prefeituras recadastrarem os alunos do ensino médio e fundamental.
De acordo com o ministro, o repasse de verbas do Bolsa Escola depende do recadastramento dos alunos do ensino médio e fundamental a ser feito pelas prefeituras.
Para o ministro, é preciso que as prefeituras recadastrem os alunos do ensino médio e fundamental: só assim, os recursos do Bolsa Escola serão repassados.
c) discurso indireto livre- é quando a fala de alguém se confunde com o discurso do narrador.
Na polifonia, é importante prestar atenção aos diferentes NÍVEIS DE LINGUAGEM. Basicamente, eles se dividem em dois: linguagem formal e linguagem coloquial. Um texto pode comportar esses dois níveis de linguagem. É preferível usar a linguagem formal para o discurso do narrador e a coloquial para a transcrição da fala de alguém – desde que isso seja feito com bom senso, sem exageros e com correção ortográfica e gramatical.

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